Geossintéticos promovem tecnologia e segurança no saneamento básico

O saneamento básico no Brasil entrou no radar de investidores internacionais, desde que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) iniciou a contratação de estudos para estruturar um programa de concessão para 18 estados. As concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPPs) podem movimentar cifras acima de R$ 20 bilhões.

Trata-se de uma oportunidade para o mercado de geossintéticos, produtos amplamente recomendados para obras de infraestrutura e saneamento. Em forma de geomantas, geogrelhas, georedes, geomembranas, geotubos, geotêxteis, entre outros, são usados para proteção, filtração, drenagem, reforço, separação e barreira de impermeabilização de solo.

Os geossintéticos têm importante função em obras de engenharia, por agregarem desempenho, rapidez, segurança e tecnologia industrial ás obras, além de serem soluções que possibilitam a redução na utilização de recursos naturais, função fundamental na engenharia moderna.

A falta de saneamento impacta diretamente na saúde e na economia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada 1 real investido em saneamento básico, 4 reais são economizados em tratamentos de saúde. Ainda assim, uma em cada três casas do país ainda não têm esgoto ligado à rede. Dados do Instituto Trata Brasil e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, mostram que cerca de 34 milhões de pessoas não têm acesso a água tratada no Brasil e somente 50,3% da população tem acesso à coleta dos esgotos, sendo que desses, somente 42% dos esgotos são tratados.

Com vistas a essa oportunidade, o CTG – Comitê Técnico de Geossintéticos da ABINT (Associação Brasileira das Indústrias de Nãotecidos e Tecidos Técnicos) tem apoiado o setor, que investe continuamente em pesquisa e desenvolvimento, com o objetivo de atender às demandas do mercado de forma eficaz e competitiva.

Fabricio Zambotto, coordenador do CTG–ABINT

Fabricio Zambotto, coordenador do CTG–ABINT

Segundo Fabricio Zambotto, coordenador do CTG–ABINT, a entidade tem trabalhado na formação e atualização de profissionais que buscam inovar nas soluções voltadas à engenharia, para que ele conheça e aplique as tecnologias disponíveis, de forma a obter o melhor resultado.

O CTG–ABINT também atua na difusão da Norma ABNT ISO 10320, publicada em maio de 2013, sobre os geotêxteis e produtos correlatos e sua identificação na obra. Essa norma exige parâmetros mínimos de identificação para que um geossintético possa ser comercializado no mercado. “É de suma importância para que projetistas, compradores, engenheiros e a fiscalização possam controlar o material que é usado, além de sua instalação adequada, garantindo assim a eficácia dos projetos”, diz Zambotto.

O Comitê participa de um Programa Setorial da Qualidade do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat), que tem por principal objetivo elaborar mecanismos específicos que garantam que os geotêxteis nãotecidos comercializados no Brasil apresentem desempenho satisfatório, atendendo às necessidades dos usuários e não prejudicando a isonomia competitiva entre fabricantes, visando a elevação da qualidade e do desempenho dos materiais.

A ABINT vem implementando o Programa Setorial da Qualidade de Geotêxteis Nãotecidos, desde maio de 2014. A gestão técnica deste Programa é feita pela entidade de terceira parte independente, empresa TESIS – Tecnologia e Qualidade de Sistemas em Engenharia Ltda., que é uma Entidade Gestora Técnica credenciada pela Coordenação Geral do PBQP-H e acreditada pela CGCRE (Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro)  de acordo com a NBR ISO/IEC 17025 sob o número OCP 0109 para a gestão técnica de Programas Setoriais da Qualidade no âmbito do PBQP-H.

O CTG-ABINT desenvolveu, ainda, a cartilha “Recomendações sobre o Uso de Geotêxteis em Obras”, que tem por objetivo auxiliar o mercado a bem especificar, comprar, receber e fiscalizar a aplicação dos geossintéticos nas obras, com base nas normas existentes, garantindo assim a qualidade e segurança do projeto.

A partir desse trabalho, o CTG-ABINT oferece ferramentas de apoio ao desenvolvimento do setor, para que o mercado brasileiro de geossintéticos possa crescer. “O setor está preparado para atender com qualidade, com tecnologia e de forma competitiva à demanda do saneamento básico e, com isso, participar ativamente do desenvolvimento sustentável do país”, completa o executivo.

Sobre o CTG-ABINT é formado por fabricantes e demais fornecedores do segmento de geossintéticos, o CTG-ABINT visa promover as aplicações destes materiais em obras de infraestrutura, por meio da elaboração de manuais, workshops e cursos nacionais e internacionais, todos direcionados ao consumidor/projetista e ou órgão fiscalizador. As empresas que compõem o CTG atualmente são: Braskem, Bidim, Cipatex, Fabritech, Huesker, Maccaferri, Nortene, Ober, Roma, Sansuy, Santa Fé, e TDM Brasil. Para saber mais acesse www.geossinteticos.org.br

Sobre o setor de Nãotecidos e Tecidos Técnicos – O segmento de Nãotecidos, que nos últimos cinco anos investiu mais de US$ 70 milhões em atualização tecnológica em equipamentos de última geração e que hoje emprega no Brasil diretamente mais de 16.500 pessoas, apresenta um consumo aparente de 283.930 toneladas/ano, exportações de 31.990 toneladas/ano e importações de 40.272 toneladas/ano.

Já o setor de Tecidos Técnicos investiu, nos últimos dois anos, mais de US$ 47 milhões em atualização tecnológica e equipamentos e gera cerca de 22.000 empregos diretos. Apresenta consumo aparente de 302.010 toneladas, exportações de 6.235 toneladas e importações de 44.973 toneladas.

Segundo o presidente da ABINT, Carlos Eduardo Benatto, o fortalecimento dessa cadeia produtiva é objetivo da entidade. “Buscamos evidenciar a relevância desses produtos no desenvolvimento de importantes setores da economia, como a construção e a infraestrutura, por exemplo”, afirma o executivo.

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