Caso de Obra – Aterro estaqueado em Trevo de Jacareí da Rodovia Dutra

Caso de Obra - Aterro estaqueado em Trevo de Jacareí da Rodovia DutraCaso de Obra - Aterro estaqueado em Trevo de Jacareí da Rodovia DutraCaso de Obra - Aterro estaqueado em Trevo de Jacareí da Rodovia DutraDa Huesker do Brasil O programa brasileiro de concessões de rodovias teve início no Brasil, na década de 1990, como alternativa para os escassos financiamentos para a manutenção e expansão da malha rodoviária nacional. Um dos maiores desafios do programa brasileiro de concessões é a rodovia Presidente Dutra que liga, nos seus 402 km, as duas regiões metropolitanas mais importantes do país: Rio de Janeiro e São Paulo.

Principal rodovia do País, a Dutra foi construída há mais de 50 anos com apenas uma pista e duas faixas de rolamento. Seu traçado antigo mostrava as marcas do tempo mesmo depois dos trabalhos de duplicação executados pelo poder público em 1968. Para recuperar, operar e administrar a rodovia foi estabelecido um cronograma de obras e serviços. Pavimentação, dispositivos de drenagem, sinalização e cercas nas faixas de domínio, pontes, viadutos e passarelas foram reformados. Novas vias marginais foram abertas, barreiras rígidas de concreto no canteiro central e nova sinalização foram implantadas. Dentro deste cronograma de melhorias, a concessionária Nova Dutra, do Sistema CCR, realizou em 2008 a readequação do trevo do km 157, acesso à cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba.

O projeto foi elaborado pela empresa Canhedo & Beppu Engenheiros Associados, com consultoria geotécnica da Vecttor Engenharia. O novo traçado do ramo 100 resultou na necessidade de execução de um aterro a meia encosta com altura variável de 4 a 7 metros, sobre uma camada de solo mole com espessura que variava de 6 a 8 metros. Havia ainda como fatores limitantes para a implantação do aterro a existência de um córrego à jusante e a proximidade do limite da faixa de domínio. Foram estudadas três alternativas para a construção do aterro:

  • Drenos verticais para aceleração dos recalques e bermas de equilíbrio, o que não se mostrou viável, pois para a estabilização do aterro as mesmas teriam dimensões que invadiriam a faixa de preservação do córrego existente.
  • Utilização de geogrelhas como reforço na base do aterro, que ficou inviabilizada, uma vez que, para garantir o comprimento de ancoragem da geogrelha seria necessário a execução de uma escavação próximo a um aterro existente que avançaria além da faixa de domínio da rodovia.
  • A terceira alternativa estudada e implantada foi a construção de um aterro estaqueado, com capitéis e geogrelhas Fortrac, da Huesker. Foi executada uma malha quadrada de 2 por 2 metros de estacas pré-moldadas com, diâmetro de 33 cm e 42 cm, comprimento médio de 17 metros e capacidade de carga variando de 40 a 48 toneladas.

Sobre as estacas foram assentados capitéis com dimensões de 1,10 por 1,10 metro na base, altura de 0,30 metro com chanfros nas bordas, para evitar cantos vivos, resultando em uma dimensão de 0,80 por 0,80 metro no topo.

Com a finalidade de distribuir as tensões verticais para as estacas e suportar a carga do aterro nas regiões não cobertas por capitéis, em substituição à solução tradicional com laje de concreto armado, foram utilizadas geogrelhas de 400/100, 300/100 e 200/100, fabricadas pela Huesker, com resistência nominal à tração de 400kN/m, 300 kN/m e 200 kN/m, respectivamente, na sua direção principal e de 100 kN/m na direção transversal.

A geogrelha da Huesker possui um alto módulo de rigidez e baixa suscetibilidade à fluência, características fundamentais que devem ser apresentadas pelo elemento de reforço neste tipo de obra, pois os níveis de deformação permitidos são muito baixos. A instalação destes geossintéticos ocorreu sem qualquer tipo de dificuldade ou imprevisto e foi sendo feita à medida que as áreas eram liberadas, após a cravação das estacas e colocação dos capitéis.

A adoção da moderna solução de aterro estaqueado com geogrelhas foi decisivo no que se refere ao tempo de execução e qualidade da obra. A execução da obra esteve a cargo da empresa Ellenco Construções e foi concluída em Junho de 2008. O fornecimento e assistência técnica para a instalação da geogrelha foram realizados pela Huesker através de seu representante em São Paulo, a Fixsolo.

Huesker do Brasil

GeoAmericas 2016