Huesker celebra 20 anos de Brasil

Flávio Montez, diretor executivo da Huesker

A Huesker completa neste ano 20 anos de Brasil, celebrando êxitos e conquistas. Para conhecer um pouco desta trajetória de êxito da empresa instalada em São José dos Campos (SP), conversamos com seu diretor executivo Flávio Montez, que está à frente dela desde sua abertura no país. Como parte das festividades, Huesker Brasil promoveu também seu tradicional wokshop de geossintéticos Georreforços 2018, que mais uma vez inovou em seu formato e trouxe profissionais e acadêmicos de altíssimo nível, que discutiram importantes casos de obras do Brasil e do mundo e apresentaram pesquisas e tendências tecnológicas.

Quais eram os maiores desafios duas décadas atrás na filial brasileira que nascia?
Na época, o principal geossintético existente no mercado brasileiro era o geotêxtil não-tecido, com resistência de até 30 kN/m. O mesmo material que era usado como filtro em uma trincheira drenante ou em um enrocamento de barragem, era também especificado como reforço em um muro de contenção ou em um aterro sobre solo mole. O grande desafio foi então introduzir a ideia que existiam materiais mais adequados para as aplicações de reforço de solo, com propriedades de resistência, deformabilidade e fluência mais compatíveis para esse tipo de obra. O primeiro projeto que a filial brasileira da Huesker participou foi um aterro ferroviário sobre estacas e capitais, cuja base foi reforçada com uma camada de geogrelha Fortrac com resistência biderecional de 400 kN/m por 150 kN/m.

Em termos de produtos e aplicação de geossintéticos, sabe-se que a Huesker sempre inovou. Quais foram as primeiras inovações que a empresa trouxe ao país?
A Huesker introduziu no Brasil as aplicações de aterros sobre solos moles construídos sobre estacas e capitéis e reforçados na base por uma ou mais camadas de geogrelha. Ainda na área de aterros sobre solos moles, foi a grande impulsionadora das colunas Ringtrac, utilizadas para o melhoramento do solo mole e o suporte do Paterro. Não podemos deixar de mencionar a introdução de novos polímeros para aplicações de reforço, como o álcool polivinílico (PVA) e a aramida, muito menos deformáveis e menos susceptíveis à fluência do que os materiais o poliéster e o polipropileno. Fomos também os primeiros a trazer para o Brasil as geogrelhas para reforço de pavimentos asfálticos.

Em termos de mercado, como foi “educá-lo” para receber estes produtos? Já havia um amadurecimento técnico para tanto?
Por sorte, havia um bom conhecimento técnico na área acadêmica sobre geossintéticos. Importantes pesquisadores, como os professores Ennio Palmeira, Maurício Ehrlich, Delma Vidal e Benedito Bueno, dentre outros, ativamente desenvolviam pesquisas de alto nível na área de geossintéticos aqui no Brasil, e foram decisivos nesse processo de “educação”. A Huesker procurou apoiar essas pesquisas e ajudar na sua divulgação, além de complementar com estudos e casos de obras desenvolvidos no exterior.

A Huesker Brasil é uma das empresas que mais fomenta a pesquisa acadêmica. Como surgiu esta estratégia para divulgar seus produtos e sua marca?
Sempre acreditamos que o desenvolvimento do mercado depende de uma atuação conjunta de indústria e academia. O Brasil possui pesquisadores apaixonados pela área de geossintéticos e que desempenham papel fundamental no desenvolvimento do setor. A nossa aproximação com eles, mais do que uma estratégia de divulgação de produtos ou marcas, foi uma consequência natural dos nossas crenças e valores.

Como foi o processo de adaptar a cultura alemã à brasileira nestes primeiros anos?
Sempre tivemos muito apoio da nossa matriz alemã. Eles sempre entenderam que para ter sucesso no mercado brasileiro, a Huesker deveria se adaptar a cultura local, sem esquecer os valores e princípios que norteiam a nossa atuação internacional.

Cite alguns casos que marcaram a história da Huesker no país.
A primeira obra a gente não esquece. Foi o aterro ferroviário sobre estacas e capitéis, no Mato Grosso do Sul, construído pela Ferronorte. Depois disso tivemos a obra da DERSA em São José dos Campos, a interligação entre as rodovias Dutra e Carvalho Pinto, onde fornecemos várias soluções em geossintéticos, incluindo a primeira aplicação das colunas Ringtrac. Pelo tamanho e desafio geotécnico, duas obras no Rio de Janeiro merecem destaque: o pátio de estocagem de carvão e minério da CSA e as estradas de acesso à Comperj, onde geossintéticos de reforço com resistência de até 1.600 kN/m e deformação na ruptura de 5% foram utilizados. Na área de contenções, dentre as centenas obras executadas, podemos destacar os Muros Terrae para o rebaixamento da linha férrea de Maringá, PR, pela extensão (6km) e para a construção da área de pedágios da Rodovia dos Tamoios, SP, pela altura (28m). Também merecem destaque as diversas obras de recapeamento asfáltico executadas com a geogrelha Hatelit em Pernambuco, e o alteamento de pátio de depósito de cinzas em uma termoelétrica no Maranhão com as geoformas SoilTain.

A empresa avançou consideravelmente nestes 20 anos, se tornando grande fornecedora de geossintéticos na América do Sul. Como se prepararam para isso e como lidar mercados tão distintos entre si?
Temos uma equipe de engenheiros dedicados aos demais países da América do Sul, que não são brasileiros. Atuamos sempre em conjunto com distribuidores locais, procuramos respeitar a cultura dos mercados em que atuamos.

Nestes anos, a Huesker atravessou diversas crises econômicas no país, entre elas a mais aguda que se iniciou em 2014. Qual o segredo para avançar neste mercado em meio a tantas “tormentas”?
De forma a obter um crescimento de forma sustentável, procuramos ser conservadores com relação a investimentos e gastos. Como todas as empresas do setor, estamos sofrendo as consequências dessa “tormenta”, entretanto confiamos muito na equipe de funcionários e parceiros que foi formada nessas duas décadas de existência.

Um dos eventos da programação em celebração aos 20 anos foi o Georreforços. O que motivou o novo formato do workshop?
Queríamos apresentar muitas coisas e não havia tempo para apresentações sequenciais. Resolvemos inovar colocando palestras paralelas em um mesmo ambiente, com fones de ouvido e canais de áudio. No início foi um pouco estranho, mas depois que nos acostumamos foi muito interessante. O evento foi um grande sucesso. Ficamos muito satisfeitos com o alto nível das palestras e do público presente.

O que você vê para o futuro da Huesker Brasil?
Temos ainda muitos desafios pela frente. A retomada do crescimento do nosso país passará necessariamente por investimentos em infraestrutura. Sabemos que isso acontecerá, não sabemos quando. Queremos estar preparados para esse momento. Vamos manter a paciência e seguir trabalhando arduamente, priorizando o desenvolvimento de novos produtos e aplicações. Estou certo que seremos recompensados no futuro.

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